o dia do ar condicionado

Conheci o guitarrista de um banda. A banda era “ok”. Não fiquei com o cara no dia que o conheci, mas trocamos números de telefone e facebook.

 

Um tempo depois, começamos a conversar por facebook e ele insistindo em me chamar pra casa dele. Não consigo pegar um cara que me chama direto pra ir na casa dele, primeiro porque ele não está se esforçando, e segundo porque vai que ele é um estuprador (não que o bar elimine a possibilidade, mas não é esse o foco). A conversa seguiu mais ou menos assim:

 

-Vem aqui em casa, vamos tomar umas cervejas…

-E se a gente for no bar tal?

-A cerveja aqui é de graça…

-Mas é que no bar dá pra gente conversar, curtir música, comer alguma coisa…

-Mas aqui em casa tem ar condicionado.

Eu não entendi, terminei a conversa pra não precisar me justificar pra um maluco que eu nem conhecia. Mais uns dias, ele chega de novo:

 

-E aí? Quer conhecer meu ar condicionado?

-oi?

-Tá fresquinho aqui em casa, mandei instalar semana passada!

-Ah… tá ok, tá fresco aqui em casa também (?).

-Tem certeza? Eu posso colocar no mínimo.

 

Até hoje, eu não sei se isso foi uma brincadeira que passou do limite da zuera, se ele apostou que pegaria alguém com esse papo ou se eu não entendi algum eufemismo bem criado.

o dia da ironia

Estava eu e um cara num bar, tomando cervejas, tequilas, gim e tônicas, já naquele clima que a noite não ia prestar.

 

Depois de um lapso de memória (peço desculpas às 3 pessoas que leem este blog), resolvemos procurar um lugar pra transar. Se você é uma das três pessoas que leem este blog, sabe que isso é um verdadeiro problema na minha vida.

 

Estávamos tão bêbados que, por alguma razão, resolvemos parar de procurar (eu também não entendi essa parte), mas resolvemos ir atrás de camisinhas. Eu viro pra ele:

-mas você não tem camisinha?

-não, ué, você tem?

-tenho, na minha bolsa (que estava em outro lugar, impossível de pegar naquela hora).

-Ah, sabe o quê? – falou o moço, como se tivesse lembrado da equação para fazer camisinha caseira – eu tenho a solução!

-fala logo, amigo, o que é?

-Eu tenho camisinha feminina!

Àquela hora, com fome, sono, álcool demais na cabeça, a ideia de ter que colocar uma camisinha feminina, coisa que eu nunca usei, parecia impossível.

-olha, amigo, desculpa, mas não vai rolar, vamos atrás de uma camisinha de verdade.

-você não vai usar, sério?

-sério, por qual motivo você comprou camisinha feminina, que é mais cara, em vez de camisinha normal?

-eu comprei como uma ironia.

 

Não transem com hipsters.

O dia do infarto

Eu fui sair com um cara de outra cidade. Ele me buscou em casa, fomos pro Largo da Ordem e eu incomodada, maluco mal olhava na minha direção. Ou era muito tímido, ou tava planejando me matar. Nisso, comecei a conversar com os amigos pelo twitter “ele nem pega na minha mão” “ele nem olha na minha cara, como faço pra ir embora?”. Resolvi continuar conversando, já que nem com lingerie adequada eu estava, então foda-se, vamos ser amigos.

 

Fomos pra uma casa de rock, continuamos conversando, bebendo (ah, a época pré lei seca), e eventualmente nos pegamos (tive que sair e mandar DM comemorativa em seguida). Daí aquela coisa, “vamos pro seu hotel?” “to dividindo quarto com a minha irmã”. Oh, Deus. Aqui começou uma Odisseia.

 

Não sei quanto vocês conhecem sobre a indústria moteleira de Curitiba, mas sábado à noite tem fila de carro pra entrar em motel. Nas duas saídas da cidade. Depois de gastar litros de gasolina, resolvemos só comprar camisinhas e ir pra uma rua deserta. Guiei o cara até a minha antiga universidade, e tava tendo festa. ÓTIMO.

 

Guiei o cara até outra rua, porque a essas horas, já tava pensando”vou transar de qualquer jeito essa noite”, já que era esforço demais pra morrer na praia. A outra rua estava vazia, finalmente rolou, e eu feliz pelo sexo, por ter sexo, por não voltar às 4 da manhã pra casa sem nada, dando um high 5 mental em mim mesma, porque ele era gato…

 

Então, o moço manda:

-Cara, levanta.

-O que foi, fulano?

-Eu to passando mal.

-OI?

-Eu tenho um negócio no coração e… e às vezes… eu desmaio…

 

Ele encostou a cabeça no banco da frente e a minha mente foi à mil. Imaginei eu tendo que levar o cara no hospital, ter que ligar pra família dele, que tava passando o fim de semana em outra cidade, explicar o que aconteceu, explicar pros meus pais que ia virar a noite com um infartado por sexo, e que, meu deus, meus pais iam saber que eu transo.

 

Quando o cara olhou pra mim de novo, eu já estava quase chorando de medo. Falou que ia ficar tudo bem, que isso acontecia bastante (livin’ on the edge), e que ia me levar pra casa. Tudo bem, saímos mais algumas vezes, depois ficou estranho, ele já não enfartava mais comigo, senti que o brilho passou… Acontece.

o dia do encontro com um cara do tinder e meus amigos

então, ontem eu combinei de sair com um piá do tinder no meu bar preferido. A questão é que o meu bar preferido também virou o bar preferido dos meus amigos que estão visitando a cidade. Os dois, um amigo e uma amiga, estavam no largo da ordem bebendo desde as duas da tarde, quando me chamaram pra beber com eles, falei que tava indo com um gatinho no hop (melhor bar), e a resposta foi “yay, encontramos vocês lá!”. “HEY, eu não vou ficar com vocês, vou ficar com o menino, ok?” “ai Helo, para de ser chata e fica com a gente lá”. Pensei que ok, eles estariam no mesmo bar, ia ficar de boa. Acho que consigo contar nos dedos as vezes que fiquei mais enganada na vida.
Encontrei com o carinha, bonitinho, gente boa, fui explicar pra ele que cerveja não é skol-brahma-serra malte, e estava indo ok. Daí chegaram meus amigos. Conversa vai, conversa vem, cerveja vai, cerveja vem e os papos começaram a ficar estranhos.
 
Primeiro, o meu amigo começou a falar da ex dele, de que na Finlândia a galera se abraça, que não tem dessa de espaço pessoal, que ele tava sentado num bar, um desconhecido chegou abraçando e eu:
-mas nossa.
Daí ele começou o papo de “que saudades do finlandês”, da importância da dedada pra um relacionamento. Pediu pra outra menina mostrar o dedo dela, e falou que o marido dela era feliz, porque o dedo dela era grosso.Que tinha saudades da finlandesa, porque o dedo dela era tão longo quanto do ET do filme. Eu já tava pedindo pra morrer.
 
Daí esse amigo começou a encher o saco da da amiga em questão, falando que os filhos dela (com 4 e 6 anos) logo vão começar a ver putaria na internet, ela vai achar que eles tão vendo joguinhos quando eles estiverem em site de porn. Eu já estava falando “caralho, amigo, cala a boca”, e pensando que o menino do tinder, a uma hora daquelas, me achava a pessoa mais bizarra do universo. Daí a minha amiga estava falando que o marido dela ensinou os meninos a fazer a higiene pessoal, puxando pele pra trás, com o nome de “fazer o dom dia”. Nessa hora, todo mundo concordou que passou do limite, e a conversa recomeçou. Meu deus, por quê?
 
Ela virou pro menino e perguntou se ele achava que eu era gata, se me pegaria, se tava pegando, o amigo falando que tem que reparar no dedo, eu escondendo o rosto a essa altura… Daí o meu amigo falou que se o meu dedo não fosse bom, ele podia usar um plug anal. Daí ele falando que foi no sex shop do lado do hostel que ele está e tinha um monte de gel pra mulher, pra piscar, pra ficar apertada. E eu roxa de vergonha. Daí o ele manda “vocês dois, quando estiverem com 60 anos de casados, vão fazer o que? vai precisar de um negócio pra pulsar”. Nesse momento eu pensei do que me valia o budismo, essa religião sem Deus acima da gente pra abrir uma cratera no chão e me engolir. E terminou perguntando “será que não tinha coisa de formiga da amazônia ali no meio? porque eu comi um negócio no Amazonas que fazia a língua tremer e eu fiquei pensando: mas e no pau?”.
 
Um pouco tempo depois, a gente resolveu ir pagar, Na fila, tava eu abraçada com o carinha (não peguei), e o meu amigo falando que tava com o lábio rachado porque tinha chupado uma prostituta na noite anterior. Eu tive que falar:
-Cacete, brother, você chupa puta?
-Não, é que depois que a nívea inventou esse protetor labial, o problema diminuiu… Cacete, Helo, você que puxa esses papos e depois acha ruim!
 
Não peguei o cara, porque meus pais já chagaram pra me buscar em seguida (crianças, não bebam e dirijam). Mas ele me mandou mensagem depois se lamentando por não ter me beijado e que eu sou linda. Então, acho que vou casar com esse cara. Para achar que eu sou massa depois de todos esses papos, só o meu futuro marido. Já vou separar os nomes dos géis para daqui 60 anos.

o dia do garçom que talvez também fosse um assassino

Uma vez eu estava num bar com uma amiga que tinha recém acabado o namoro. Estava tentando ser mais feliz que o normal, pra animar a moça. E eu acho que a minha habilidade pra contar histórias e piadas ruins é meu principal, talvez único, truque com os homens. E dessa vez não falhou.

O garçom logo começou a ficar mais presente, anotando nossos pedidos de música… eu não faço pedidos de música, mas quando o garçom fala que vão tocar tudo que você pedir, não se nega. No final da noite, trocamos telefone, MSN (era essa época) e fui levar a minha amiga chorosa para casa.

Mais tarde, o moço me adicionou no MSN e começamos a ter uma conversa muito estranha. Ele perguntou em que bairro eu morava, se era condomínio fechado, se eu tinha meu próprio carro, onde eu trabalhava, quanto tava ganhando e eu comecei a achar tudo aquilo muito engraçado. Não preciso dizer que nenhum cara que eu já saí me perguntou quanto eu ganho e qual carro eu tenho.

Então ele disse onde morava e pediu para eu ir de carro até lá. Falei que não rolava, tava tarde, e ele “mas você tem carro, tudo fica perto, vem me buscar e depois vamos sair. Você não é do tipo machista que tem problema em dividir as contas, né?”.

Se fosse só dividir a conta, ok. Mas na minha cabeça passou um vídeo do moço me dando uma facada, limpando o carro por dentro e levando qualquer 20 pilas que eu tivesse, então eu preferi fingir que já estava morta antes de sair de casa.

O dia da sacanagem

Numa festa de St Patrick’s atrasada (não reclamo, porque o chopp era bom, e as canecas eram personalizadas, tipo UFSC), depois de encarar um menino a noite toda e no final da festa receber dois tapinhas nas costas, no estilo “pelo menos você tentou”, uma amiga e eu decidimos sentar, bem clima fim de festa. Falávamos de como a vacina do HPV cobre apenas um número X de mutações do vírus, quando um menino sentou conosco:

-E aí, do que vocês estão falando?

No medo de responder que o papo era HPV, nós só demos uma risada sem graça. O desconhecido:

-É sacanagem?

Depois de gargalhar porque, vejam bem, é um assunto sacanagem-related, eu respondi: – Não.

-Mas é um ótimo assunto, a gente podia falar disso.

-Até poderia, porém não.

-Vocês não querem falar de sacanagem? mas é o melhor assunto do mundo.

-É verdade, mas não.

-Não? Bom, então, se vocês não querem falar de sacanagem, eu vou embora.

O menino saiu e eu comemorei a comprovação para a amiga que eu não invento o que eu posto aqui.

o dia que a mãe de uma amiga foi buscar a galera na balada

Era lá por 2008, na época eu namorava, e fui numa festa de aniversário de um menino da sala do meu ex num bar-balada.

Estava tudo ok, o pessoal bebendo quentão, tirando fotos incrivelmente constrangedoras, daí resolvemos ir embora. A mãe de uma amiga nossa vinha buscar, até porque ninguém tinha carro na época e o táxi até a minha casa sairia uma fortuna. Daí aquele bando de universitários entrou no carro, foi todo mundo se acomodando, definindo o esquema de quem ia ficar no colo de quem, e eu saí do carro pra entrar por último e sentar no colo do meu namorado.

A mãe da minha amiga nos olhou, fez uma cara de pensativa e falou:

-Você é namorada dele?

-Sim!

-Mas você é muito bonita pra namorar com ele.

hoje eu sei, tia.