o dia do encontro com um cara do tinder e meus amigos

então, ontem eu combinei de sair com um piá do tinder no meu bar preferido. A questão é que o meu bar preferido também virou o bar preferido dos meus amigos que estão visitando a cidade. Os dois, um amigo e uma amiga, estavam no largo da ordem bebendo desde as duas da tarde, quando me chamaram pra beber com eles, falei que tava indo com um gatinho no hop (melhor bar), e a resposta foi “yay, encontramos vocês lá!”. “HEY, eu não vou ficar com vocês, vou ficar com o menino, ok?” “ai Helo, para de ser chata e fica com a gente lá”. Pensei que ok, eles estariam no mesmo bar, ia ficar de boa. Acho que consigo contar nos dedos as vezes que fiquei mais enganada na vida.
Encontrei com o carinha, bonitinho, gente boa, fui explicar pra ele que cerveja não é skol-brahma-serra malte, e estava indo ok. Daí chegaram meus amigos. Conversa vai, conversa vem, cerveja vai, cerveja vem e os papos começaram a ficar estranhos.
 
Primeiro, o meu amigo começou a falar da ex dele, de que na Finlândia a galera se abraça, que não tem dessa de espaço pessoal, que ele tava sentado num bar, um desconhecido chegou abraçando e eu:
-mas nossa.
Daí ele começou o papo de “que saudades do finlandês”, da importância da dedada pra um relacionamento. Pediu pra outra menina mostrar o dedo dela, e falou que o marido dela era feliz, porque o dedo dela era grosso.Que tinha saudades da finlandesa, porque o dedo dela era tão longo quanto do ET do filme. Eu já tava pedindo pra morrer.
 
Daí esse amigo começou a encher o saco da da amiga em questão, falando que os filhos dela (com 4 e 6 anos) logo vão começar a ver putaria na internet, ela vai achar que eles tão vendo joguinhos quando eles estiverem em site de porn. Eu já estava falando “caralho, amigo, cala a boca”, e pensando que o menino do tinder, a uma hora daquelas, me achava a pessoa mais bizarra do universo. Daí a minha amiga estava falando que o marido dela ensinou os meninos a fazer a higiene pessoal, puxando pele pra trás, com o nome de “fazer o dom dia”. Nessa hora, todo mundo concordou que passou do limite, e a conversa recomeçou. Meu deus, por quê?
 
Ela virou pro menino e perguntou se ele achava que eu era gata, se me pegaria, se tava pegando, o amigo falando que tem que reparar no dedo, eu escondendo o rosto a essa altura… Daí o meu amigo falou que se o meu dedo não fosse bom, ele podia usar um plug anal. Daí ele falando que foi no sex shop do lado do hostel que ele está e tinha um monte de gel pra mulher, pra piscar, pra ficar apertada. E eu roxa de vergonha. Daí o ele manda “vocês dois, quando estiverem com 60 anos de casados, vão fazer o que? vai precisar de um negócio pra pulsar”. Nesse momento eu pensei do que me valia o budismo, essa religião sem Deus acima da gente pra abrir uma cratera no chão e me engolir. E terminou perguntando “será que não tinha coisa de formiga da amazônia ali no meio? porque eu comi um negócio no Amazonas que fazia a língua tremer e eu fiquei pensando: mas e no pau?”.
 
Um pouco tempo depois, a gente resolveu ir pagar, Na fila, tava eu abraçada com o carinha (não peguei), e o meu amigo falando que tava com o lábio rachado porque tinha chupado uma prostituta na noite anterior. Eu tive que falar:
-Cacete, brother, você chupa puta?
-Não, é que depois que a nívea inventou esse protetor labial, o problema diminuiu… Cacete, Helo, você que puxa esses papos e depois acha ruim!
 
Não peguei o cara, porque meus pais já chagaram pra me buscar em seguida (crianças, não bebam e dirijam). Mas ele me mandou mensagem depois se lamentando por não ter me beijado e que eu sou linda. Então, acho que vou casar com esse cara. Para achar que eu sou massa depois de todos esses papos, só o meu futuro marido. Já vou separar os nomes dos géis para daqui 60 anos.

o dia do garçom que talvez também fosse um assassino

Uma vez eu estava num bar com uma amiga que tinha recém acabado o namoro. Estava tentando ser mais feliz que o normal, pra animar a moça. E eu acho que a minha habilidade pra contar histórias e piadas ruins é meu principal, talvez único, truque com os homens. E dessa vez não falhou.

O garçom logo começou a ficar mais presente, anotando nossos pedidos de música… eu não faço pedidos de música, mas quando o garçom fala que vão tocar tudo que você pedir, não se nega. No final da noite, trocamos telefone, MSN (era essa época) e fui levar a minha amiga chorosa para casa.

Mais tarde, o moço me adicionou no MSN e começamos a ter uma conversa muito estranha. Ele perguntou em que bairro eu morava, se era condomínio fechado, se eu tinha meu próprio carro, onde eu trabalhava, quanto tava ganhando e eu comecei a achar tudo aquilo muito engraçado. Não preciso dizer que nenhum cara que eu já saí me perguntou quanto eu ganho e qual carro eu tenho.

Então ele disse onde morava e pediu para eu ir de carro até lá. Falei que não rolava, tava tarde, e ele “mas você tem carro, tudo fica perto, vem me buscar e depois vamos sair. Você não é do tipo machista que tem problema em dividir as contas, né?”.

Se fosse só dividir a conta, ok. Mas na minha cabeça passou um vídeo do moço me dando uma facada, limpando o carro por dentro e levando qualquer 20 pilas que eu tivesse, então eu preferi fingir que já estava morta antes de sair de casa.

O dia da sacanagem

Numa festa de St Patrick’s atrasada (não reclamo, porque o chopp era bom, e as canecas eram personalizadas, tipo UFSC), depois de encarar um menino a noite toda e no final da festa receber dois tapinhas nas costas, no estilo “pelo menos você tentou”, uma amiga e eu decidimos sentar, bem clima fim de festa. Falávamos de como a vacina do HPV cobre apenas um número X de mutações do vírus, quando um menino sentou conosco:

-E aí, do que vocês estão falando?

No medo de responder que o papo era HPV, nós só demos uma risada sem graça. O desconhecido:

-É sacanagem?

Depois de gargalhar porque, vejam bem, é um assunto sacanagem-related, eu respondi: – Não.

-Mas é um ótimo assunto, a gente podia falar disso.

-Até poderia, porém não.

-Vocês não querem falar de sacanagem? mas é o melhor assunto do mundo.

-É verdade, mas não.

-Não? Bom, então, se vocês não querem falar de sacanagem, eu vou embora.

O menino saiu e eu comemorei a comprovação para a amiga que eu não invento o que eu posto aqui.

o dia que a mãe de uma amiga foi buscar a galera na balada

Era lá por 2008, na época eu namorava, e fui numa festa de aniversário de um menino da sala do meu ex num bar-balada.

Estava tudo ok, o pessoal bebendo quentão, tirando fotos incrivelmente constrangedoras, daí resolvemos ir embora. A mãe de uma amiga nossa vinha buscar, até porque ninguém tinha carro na época e o táxi até a minha casa sairia uma fortuna. Daí aquele bando de universitários entrou no carro, foi todo mundo se acomodando, definindo o esquema de quem ia ficar no colo de quem, e eu saí do carro pra entrar por último e sentar no colo do meu namorado.

A mãe da minha amiga nos olhou, fez uma cara de pensativa e falou:

-Você é namorada dele?

-Sim!

-Mas você é muito bonita pra namorar com ele.

hoje eu sei, tia.

o dia que eu conheci o Tom Zé (acho)

Uma noite o Tom Zé estava dando um show de graça em Curitiba, e eu não fui porque não conheço muito, preferi encontrar com o pessoal pelas ruas do centro. Com todo mundo cansado, a noite foi mais um fracasso.

Eu e uma amiga tentamos ir comer no chinasky (pronúncia: xinaski), mas eles só fazem kibe cru na quinta – era um sábado. Ok, fomos para outro lugar, que é bem pequeno e uma mesa fica bem perto uma da outra, ótimo lugar para mal-entendidos. Ah sim, o cara da sanfoninha estava lá, eu e as minhas amigas tentando tirar sarro sem ele perceber, todo aquele momento mágico.

Então um senhor, que estava na mesa ao lado da nossa, chamou a nossa atenção:

-Oi! Vocês estão falando de mim?!

-…não.

-ah, ok, desculpa.

Trocamos olhares de “que velho babaca”, e continuamos a conversa, a comida e a troca de lembranças sobre o sanfoninha. Depois de um tempo, o mesmo senhor nos chamou de novo:

-Oi! eu tenho uma coisa aqui para vocês!

Ele tirou uma gaita do bolso, tocou uma nota infinita de um agudo capaz de fazer os ouvidos sangrarem até reparar na minha cara de julgamento extremo.

-Desculpa, vocês merecem muito mais.

-É, eu tô sabendo.

Ele ficou sem graça, riu, pediu desculpas, e nós fomos atrás de algum bar aberto. Na entrada para algum deles, chega uma amiga falando do show do Tom Zé. Eu viro para a minha amiga, ela vira pra mim, e talvez nós tenhamos topado com o Tom Zé por Curitiba. Ou talvez fosse só mais um velhinho louco do centro.

sobre eu morar sozinha #1 e #2

#1

Depois de uma semana em que eu perdi as minhas chaves, meu celular, minha carteira e a minha dignidade numa festa, fui pegar meus tênis que deixei secando na área comum do prédio e não os encontrei. Olhei por toda a minha casa e só podia achar que foram roubados. Mandei um e-mail para os donos, que repassaram para todos do prédio e, à noite, eles me chamaram para ver as imagens das câmeras de segurança.

Chegando lá, vimos todos juntos as imagens minhas recolhendo um monte de roupas e colocando os tênis junto.

 

#2

A porta da minha área de serviço emperrou, chamei o zelador/mecânico/encanador do prédio para ver, mas ele só ia poder ir no dia seguinte. Ele chegou lá, minhas roupas ficando velhas lá dentro da área de serviço fechada, tirou uma pedra de baixo da porta e a abriu perfeitamente.

o rolê errado que eu consolei um cara no motel

Começando a semana dos rolês errados,um caso emblemático que se passa no Rio de Janeiro.

Era aniversário de uma amiga e eu estava super empolgada pra pegar uma balada, recém solteira e solta na pista.

No esquenta da casa dela,eu já fiquei de olho em um menino de São Paulo, que estava bebendo quantidades absurdas de álcool, tinha barba por fazer, tacava fogo em drinks, falava coisas inapropriadas, meu tipo de homem.

Fomos pra balada, todo mundo já feliz, e eu lembro de dançar com a muleta de um dos meninos, ficar olhando as projeções estática e de discutir com uma menina se a gente pegava o paulista ou se a gente se pagava. Infelizmente pra menina, minha pira não é essa. Acabei pegando o cara.

No desespero, saí perguntando pra todos os meus conhecidos no RJ por mensagem, às 4 da manhã, se eles sabiam de motel ali perto. Uma amiga passou o nome, fomos pra lá na indicação dela, pegamos o quarto, todo o trâmite. Dividimos um táxi com a aniversariante e o peguete dela, já que todo mundo ia pro mesmo lugar.

Chegamos no quarto e o menino, que tinha bebido muito, não conseguia realizar a função. Tentei, tentei, tentei, até que ele começou a chorar e me pedir desculpas. Eu queria ir embora, mas tinha que esperar a minha amiga. Acabei dormindo, o menino que estava comigo se questionava por quê bebeu tanto e eu já não conseguia me importar. Daí venceu o período, encontrei com a minha amiga na recepção com cara de bunda só comparável à minha, e quando saímos atrás de um táxi, ela sussurra pra mim:

-acredita que eu vim até aqui pro cara brochar?