Fábula sobre como vi Senhor dos Anéis

Eu vou falar, mesmo sabendo que vocês vão me odiar eternamente: não gosto de senhor dos anéis. Não gostava nem antes de ver, não gostava do fandom e, especialmente, não gostava do papinho “não acredito que você nunca assistiu!”. Não assistia de birra, com o tanto de gente me mandando assistir.

Comecei a ficar com um carinha que era apaixonado pela série, e começou a insistir para eu ver. Sabe quando você fica meio idiota por um cara? Resolvi baixar a trilogia, que ficou no meu desktop um bom tempo.

Vi o primeiro filme numa noite que eu sabia que estaria livre, porque, meus amigos, três horas de filme. Assisti. Não aconteceu nada e eu tinha que mandar SMS perguntando “que bicho é esse?” “que conselho é esse?” “porque os elfos estãoindo embora?” “é só isso? acabou o filme mesmo, ou faltou uma parte?”.

A última mensagem causou comoção. Aparentemente, eu ia mudar de posição quando visse o segundo. Falei que não ia ver, detestei aquele filme e demorou uma noite inteira para eu assistir. Tinha que pausar o filme e entrar na internet a cada meia hora de marasmo.

Ele insistiu, insistiu, acho que tinha uma coisa sobre eu me vestir de elfa para ele rolando, e assisti o segundo. Achei muito ruim  jurei não ver o terceiro. Nisso, parei de falar com o menino, afinal um cara que insiste em te mandar ler senhor dos anéis e pequeno príncipe não pode estar em dia com suas faculdades mentais.

Quando me mudei pra floripa, fiquei dois dias sem internet, e assisti tudo o que eu tinha baixado. Sem tv, fui ver o terceiro filme do senhor dos anéis, já que não tinha o que fazer.

Eu vi o último filme e, tirando duas cenas de batalha, achei tedioso. Não aguentei, adicionei o cara de volta no facebook pra perguntar o que tinha de errado com aquele filme, porque meu deus, que coisa chata, como as pessoas assistem isso?

transamos.

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O dia que eu tava visitando floripa (1 de milhões)

Uma vez eu estava passeando por floripa, quando ainda era aluna especial do mestrado, com o peguete da época. Estávamos no carro dele discutindo Slash (e o que mais discutiríamos?), quando passamos em frente à passarela do samba de floripa.

Ele começou com uns papos muito suspeitos, sobre o quanto era incrível ir em uma micareta e, como se eu já não estivesse decepcionada o suficiente, ele apontou para o final da passarela, e disse:

-está vendo aquela parte redonda ali?

-hum… tô.

-então – ele respirou fundo, se encheu de orgulho, e completou – é ali que o trio elétrico faz a curva.

-ah.

-cara… é lindo. Melhor momento.

Essa decepção nunca saiu dos meus pensamentos.

o dia que o cara tocava sanfoninha

A vida de curtir caras de banda é ingrata às vezes.

Descobri essa nova banda nem lembro como, provavelmente atrás de bandas locais no facebook dos bares da cidade. Vi um baixista bonito e resolvi adicionar, afinal o não eu já tinha.

Adicionei, começamos a conversar e eu achei o cara incrível. Querido, bonitinho, com bom senso de humor. Só faltava aprovar a banda, já que ele tava me chamando para o próximo show.

Ouvi 5 segundos da primeira música e já desanimei com aquele som mais bonito da cidade. Abri a segunda música e fui pulando partes, para ver se em algum ponto ficava audível.

No meio do clipe, cada um pegava um instrumento diferente. Ele pegava uma sanfoninha de mão (ok, tem um nome de verdade para isso, mas foi como ficou registrado na minha cabeça).

Precisei chamar as minhas amigas em reunião de emergência. Afinal, como lidar com o cara bonitinho, masque toca um radio de uma sanfoninha?

A decepção foi tanta que nunca mais troquei uma palavra com ele, mas até hoje o encontro embaraçosamente pela noite curitibana.

o dia que peguei um cara que eu queria arrumar para um amigo meu na recepção dos calouros

Caso vocês não conheçam a fama, os meninos de RI têm afama de um percentual muito baixo de héteros/m². Com isso em mente, as meninas só vão pras festas pra beberem e dançarem em cima das mesas.

Numa recepção de calouros, um amigo meu apontou para um calouro que ele pegaria com certeza, mas estava com vergonha de chegar. Eu que já estava lá mesmo, era aquilo ou tomar suco gummy, fui conversar com o calouro:

-oi, você é gay?

-oi?

-oi! – eu já estava com um sorriso de quem queria discutir as opções de cabelo da Rihanna para o menino – então, você é gay?

-…não?

-ah, que isso, todo mundo é de RI aqui! pode falar comigo! sai desse armário, aqui é o lugar!

e então ele me beijou.

-então, você é gay?

-…eu acabei de te beijar.

-sim, eu estava aqui. é que o meu amigo queria ficar contigo

daí o calouro me agarrou de novo. Eu respondi:

-viu, você não respondeu a minha pergunta.

-você ainda acha que eu sou gay?

-você tem um jeito de amigo gay.

Daí ele me agarrou em outro nível, de prensar contra a parede e tal.

-então, você é bi?

o dia que não peguei um cara em um bloco de pré-carnaval

Foi no belo ano de 2011, onde eu explicava as belezas de Valesca Popozuda para as minhas amigas e elas respondiam com um olhar de “ah”.

Eu estava esperando o pessoal chegar no largo da ordem para o bloco.Antes de ter o bloco, pela manhã, tem uma feira no largo. entre a feira e o bloco, as barraquinhas ficam lá, servindo de sombra ou guarda-chuva.

Comecei a conversar com um cara que era meu ideal de homem: chapéu de palha, capa de chuva, barba por fazer e bebendo pinga num pote de conserva de pepino. Conversa vai, conversa vem, ele manda a real e diz que não vai me pegar. Como não vai? logo nesse domingo que eu acordei cheia de tesão, passei meu perfume pra te excitar…

Fiquei conversando com o cara sobre quanto eu era maravilhosa, até que as minhas amigas chegaram. a conversa que seguiu foi mais ou menos essa:

-oi, tô aqui falando com esse cara, mas ele não quer me pegar.

-então saia de perto dele.

-verdade.

Eu deixei o moço falando sozinho. Ele correu atrás de mim, sorriu e falou “eu não podia te deixar ir embora assim….” e me deu uma bala sete belo.