O dia da sacanagem

Numa festa de St Patrick’s atrasada (não reclamo, porque o chopp era bom, e as canecas eram personalizadas, tipo UFSC), depois de encarar um menino a noite toda e no final da festa receber dois tapinhas nas costas, no estilo “pelo menos você tentou”, uma amiga e eu decidimos sentar, bem clima fim de festa. Falávamos de como a vacina do HPV cobre apenas um número X de mutações do vírus, quando um menino sentou conosco:

-E aí, do que vocês estão falando?

No medo de responder que o papo era HPV, nós só demos uma risada sem graça. O desconhecido:

-É sacanagem?

Depois de gargalhar porque, vejam bem, é um assunto sacanagem-related, eu respondi: – Não.

-Mas é um ótimo assunto, a gente podia falar disso.

-Até poderia, porém não.

-Vocês não querem falar de sacanagem? mas é o melhor assunto do mundo.

-É verdade, mas não.

-Não? Bom, então, se vocês não querem falar de sacanagem, eu vou embora.

O menino saiu e eu comemorei a comprovação para a amiga que eu não invento o que eu posto aqui.

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o dia que a mãe de uma amiga foi buscar a galera na balada

Era lá por 2008, na época eu namorava, e fui numa festa de aniversário de um menino da sala do meu ex num bar-balada.

Estava tudo ok, o pessoal bebendo quentão, tirando fotos incrivelmente constrangedoras, daí resolvemos ir embora. A mãe de uma amiga nossa vinha buscar, até porque ninguém tinha carro na época e o táxi até a minha casa sairia uma fortuna. Daí aquele bando de universitários entrou no carro, foi todo mundo se acomodando, definindo o esquema de quem ia ficar no colo de quem, e eu saí do carro pra entrar por último e sentar no colo do meu namorado.

A mãe da minha amiga nos olhou, fez uma cara de pensativa e falou:

-Você é namorada dele?

-Sim!

-Mas você é muito bonita pra namorar com ele.

hoje eu sei, tia.

o dia que eu conheci o Tom Zé (acho)

Uma noite o Tom Zé estava dando um show de graça em Curitiba, e eu não fui porque não conheço muito, preferi encontrar com o pessoal pelas ruas do centro. Com todo mundo cansado, a noite foi mais um fracasso.

Eu e uma amiga tentamos ir comer no chinasky (pronúncia: xinaski), mas eles só fazem kibe cru na quinta – era um sábado. Ok, fomos para outro lugar, que é bem pequeno e uma mesa fica bem perto uma da outra, ótimo lugar para mal-entendidos. Ah sim, o cara da sanfoninha estava lá, eu e as minhas amigas tentando tirar sarro sem ele perceber, todo aquele momento mágico.

Então um senhor, que estava na mesa ao lado da nossa, chamou a nossa atenção:

-Oi! Vocês estão falando de mim?!

-…não.

-ah, ok, desculpa.

Trocamos olhares de “que velho babaca”, e continuamos a conversa, a comida e a troca de lembranças sobre o sanfoninha. Depois de um tempo, o mesmo senhor nos chamou de novo:

-Oi! eu tenho uma coisa aqui para vocês!

Ele tirou uma gaita do bolso, tocou uma nota infinita de um agudo capaz de fazer os ouvidos sangrarem até reparar na minha cara de julgamento extremo.

-Desculpa, vocês merecem muito mais.

-É, eu tô sabendo.

Ele ficou sem graça, riu, pediu desculpas, e nós fomos atrás de algum bar aberto. Na entrada para algum deles, chega uma amiga falando do show do Tom Zé. Eu viro para a minha amiga, ela vira pra mim, e talvez nós tenhamos topado com o Tom Zé por Curitiba. Ou talvez fosse só mais um velhinho louco do centro.

sobre eu morar sozinha #1 e #2

#1

Depois de uma semana em que eu perdi as minhas chaves, meu celular, minha carteira e a minha dignidade numa festa, fui pegar meus tênis que deixei secando na área comum do prédio e não os encontrei. Olhei por toda a minha casa e só podia achar que foram roubados. Mandei um e-mail para os donos, que repassaram para todos do prédio e, à noite, eles me chamaram para ver as imagens das câmeras de segurança.

Chegando lá, vimos todos juntos as imagens minhas recolhendo um monte de roupas e colocando os tênis junto.

 

#2

A porta da minha área de serviço emperrou, chamei o zelador/mecânico/encanador do prédio para ver, mas ele só ia poder ir no dia seguinte. Ele chegou lá, minhas roupas ficando velhas lá dentro da área de serviço fechada, tirou uma pedra de baixo da porta e a abriu perfeitamente.