o dia do garçom que talvez também fosse um assassino

Uma vez eu estava num bar com uma amiga que tinha recém acabado o namoro. Estava tentando ser mais feliz que o normal, pra animar a moça. E eu acho que a minha habilidade pra contar histórias e piadas ruins é meu principal, talvez único, truque com os homens. E dessa vez não falhou.

O garçom logo começou a ficar mais presente, anotando nossos pedidos de música… eu não faço pedidos de música, mas quando o garçom fala que vão tocar tudo que você pedir, não se nega. No final da noite, trocamos telefone, MSN (era essa época) e fui levar a minha amiga chorosa para casa.

Mais tarde, o moço me adicionou no MSN e começamos a ter uma conversa muito estranha. Ele perguntou em que bairro eu morava, se era condomínio fechado, se eu tinha meu próprio carro, onde eu trabalhava, quanto tava ganhando e eu comecei a achar tudo aquilo muito engraçado. Não preciso dizer que nenhum cara que eu já saí me perguntou quanto eu ganho e qual carro eu tenho.

Então ele disse onde morava e pediu para eu ir de carro até lá. Falei que não rolava, tava tarde, e ele “mas você tem carro, tudo fica perto, vem me buscar e depois vamos sair. Você não é do tipo machista que tem problema em dividir as contas, né?”.

Se fosse só dividir a conta, ok. Mas na minha cabeça passou um vídeo do moço me dando uma facada, limpando o carro por dentro e levando qualquer 20 pilas que eu tivesse, então eu preferi fingir que já estava morta antes de sair de casa.

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