O dia do infarto

Eu fui sair com um cara de outra cidade. Ele me buscou em casa, fomos pro Largo da Ordem e eu incomodada, maluco mal olhava na minha direção. Ou era muito tímido, ou tava planejando me matar. Nisso, comecei a conversar com os amigos pelo twitter “ele nem pega na minha mão” “ele nem olha na minha cara, como faço pra ir embora?”. Resolvi continuar conversando, já que nem com lingerie adequada eu estava, então foda-se, vamos ser amigos.

 

Fomos pra uma casa de rock, continuamos conversando, bebendo (ah, a época pré lei seca), e eventualmente nos pegamos (tive que sair e mandar DM comemorativa em seguida). Daí aquela coisa, “vamos pro seu hotel?” “to dividindo quarto com a minha irmã”. Oh, Deus. Aqui começou uma Odisseia.

 

Não sei quanto vocês conhecem sobre a indústria moteleira de Curitiba, mas sábado à noite tem fila de carro pra entrar em motel. Nas duas saídas da cidade. Depois de gastar litros de gasolina, resolvemos só comprar camisinhas e ir pra uma rua deserta. Guiei o cara até a minha antiga universidade, e tava tendo festa. ÓTIMO.

 

Guiei o cara até outra rua, porque a essas horas, já tava pensando”vou transar de qualquer jeito essa noite”, já que era esforço demais pra morrer na praia. A outra rua estava vazia, finalmente rolou, e eu feliz pelo sexo, por ter sexo, por não voltar às 4 da manhã pra casa sem nada, dando um high 5 mental em mim mesma, porque ele era gato…

 

Então, o moço manda:

-Cara, levanta.

-O que foi, fulano?

-Eu to passando mal.

-OI?

-Eu tenho um negócio no coração e… e às vezes… eu desmaio…

 

Ele encostou a cabeça no banco da frente e a minha mente foi à mil. Imaginei eu tendo que levar o cara no hospital, ter que ligar pra família dele, que tava passando o fim de semana em outra cidade, explicar o que aconteceu, explicar pros meus pais que ia virar a noite com um infartado por sexo, e que, meu deus, meus pais iam saber que eu transo.

 

Quando o cara olhou pra mim de novo, eu já estava quase chorando de medo. Falou que ia ficar tudo bem, que isso acontecia bastante (livin’ on the edge), e que ia me levar pra casa. Tudo bem, saímos mais algumas vezes, depois ficou estranho, ele já não enfartava mais comigo, senti que o brilho passou… Acontece.

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